{"id":670,"date":"2025-09-08T01:26:47","date_gmt":"2025-09-08T01:26:47","guid":{"rendered":"http:\/\/radioiep.com\/?p=670"},"modified":"2025-09-08T01:26:47","modified_gmt":"2025-09-08T01:26:47","slug":"meu-objetivo-e-ser-alguem-pra-quem-nao-tem-ninguem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radioiep.com\/site\/meu-objetivo-e-ser-alguem-pra-quem-nao-tem-ninguem\/","title":{"rendered":"\u201cMEU OBJETIVO \u00c9 SER ALGU\u00c9M PRA QUEM N\u00c3O TEM NINGU\u00c9M\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Meu nome \u00e9 Beatriz, tenho vinte e um anos e sou a criadora da p\u00e1gina @silenciosa.mente. Sou brasileira e moro em uma cidade no interior do estado de Minas Gerais. Hoje, curso Psicologia e consigo dar voz \u00e0 luta feminina. Nutro a p\u00e1gina com pouco mais de trinta e seis mil seguidores, lendo, ouvindo e acolhendo desabafos de homens e mulheres de todas as idades. Busco servir da maneira que eu posso. Meu objetivo \u00e9 ser algu\u00e9m para quem n\u00e3o tem ningu\u00e9m. Todos os dias eu procuro encorajar pessoas a cuidarem da sua sa\u00fade mental, tanto quanto cuidam de sua sa\u00fade f\u00edsica. Hoje consigo olhar para o meu interior e ter a certeza de que esse \u00e9 o meu prop\u00f3sito, minha raz\u00e3o. Servir, ajudar, abra\u00e7ar, com empatia e respeito, sem julgamentos. Mas nem sempre foi assim. Sou pianista e violinista. Desde crian\u00e7a o meu lado art\u00edstico foi incentivado. Participei de festivais, tocando em orquestras em outros estados brasileiros. Por\u00e9m, eu sabia que a m\u00fasica n\u00e3o seria a carreira que eu gostaria de seguir. Muito influenciada pelos meus pais, comecei a cursar Licenciatura em M\u00fasica em uma universidade privada logo ap\u00f3s minha sa\u00edda do Ensino M\u00e9dio escolar. Passei a lecionar violino para crian\u00e7as, adolescentes, adultos e idosos, ao mesmo tempo em que fazia a faculdade. Com o decorrer dos anos, comecei a pensar em outras possibilidades de cursos. Mas a minha lista de op\u00e7\u00f5es n\u00e3o era extensa. A \u00fanica coisa que havia aprendido intensamente durante os longos anos da minha vida era m\u00fasica, em suas diversas formas e \u00e1reas. Passei alguns meses refletindo muito sobre o que eu realmente queria e gostaria para o meu futuro. Remexi meu passado e me lembrei de questionamento que tinha quando era crian\u00e7a: \u201cQual \u00e9 o meu dom? Qual \u00e9 a raz\u00e3o da minha exist\u00eancia? O que posso fazer para acrescentar algo no mundo?\u201d. Nesse momento, eu precisei enfrentar todos os acontecimentos da minha vida. E apesar da apar\u00eancia feliz, satisfeita e completa que eu passava, n\u00e3o era dessa forma que eu realmente me sentia. Nos bastidores da minha pr\u00f3pria vida, tudo acontecia de forma muito diferente. Fui criada peculiarmente, com diversas restri\u00e7\u00f5es e repress\u00f5es dentro de uma religiosidade bem privativa. N\u00e3o tinha vida pr\u00f3pria. Eu vivia aquilo que as pessoas projetavam, sem ter de fato uma identidade. Escondia-me atr\u00e1s da M\u00fasica para n\u00e3o enfrentar meus medos e ser exatamente o que haviam planejado para mim. Nunca me senti no direito de questionar ou discordar das imposi\u00e7\u00f5es e conten\u00e7\u00f5es. Aos dezessete anos, comecei a me relacionar com um garoto. Sentia-me importante, respons\u00e1vel, independente, madura. Mas eu n\u00e3o enxergava que estava em um labirinto de manipula\u00e7\u00f5es, mentiras e abusos. Ap\u00f3s oito meses, com o fim do relacionamento, fui culpada por cada acontecimento infeliz. N\u00e3o entendia o que havia acontecido com minha ess\u00eancia, o porqu\u00ea de tudo estar t\u00e3o confuso, a press\u00e3o no peito e a falta de ar que eu sentia. Ent\u00e3o, tomei coragem e pedi \u00e0 minha fam\u00edlia que me levassem em um psic\u00f3logo. Mesmo com o imenso tabu que existia (e ainda existe) sobre tal profiss\u00e3o, acolheram meu pedido. A minha primeira visita a uma psic\u00f3loga foi assustadoramente maravilhosa. Eu n\u00e3o sabia que minha sa\u00fade mental importava tanto e que os meus comportamentos eram reflexo do que acontecia em minha mente. Ao relatar o t\u00e9rmino do meu antigo relacionamento, fui comunicada que havia sido v\u00edtima de um relacionamento abusivo. E ent\u00e3o, tudo come\u00e7ou a fazer sentido. O medo, a culpa, as intoler\u00e2ncias, a falta de respeito, as discurs\u00f5es infund\u00e1veis, o ci\u00fames extremamente possessivo e doentio, a forma agressiva de lidar com as situa\u00e7\u00f5es e o controle emocional tiveram, enfim, uma causa. Revivi as manipula\u00e7\u00f5es e as mentiras. De fato, eu estava cega. A forma opressora da minha cria\u00e7\u00e3o juntamente aos acontecimentos abusivos da antiga rela\u00e7\u00e3o foram somatizadas e contribu\u00edram para a minha necessidade de um acompanhamento psicol\u00f3gico profundo. Fui diagnosticada por psiquiatras, com Transtorno de Ansiedade Generalizada, Transtorno Depressivo e Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Aos dezenove anos, eu descobri finalmente, em terapia, que eu tinha o direito de pensar por mim mesma. Eu poderia definir meus valores, minha moral, meus objetivos, minhas cren\u00e7as, meu futuro e me responsabilizar pelos meus atos. Precisei enfrentar os fundamentos religiosos para expor o que eu escolheria para a minha vida. E durante todo esse processo, eu recebi todo o reconhecimento, apoio e compreens\u00e3o da minha fam\u00edlia. Isso foi, sem d\u00favidas, parte essencial da minha caminhada. No decorrer dos meus acompanhamentos psicol\u00f3gicos, me encantei pela profiss\u00e3o. A empatia e o respeito eram imensur\u00e1veis e n\u00e3o me senti jugada em nenhum momento. Ap\u00f3s algumas pesquisas e muitas l\u00e1grimas (finalmente, eram l\u00e1grimas de felicidade), eu desisti do meu curso de Licenciatura em M\u00fasica no qual faltavam apenas dois semestres para finalizar, e concentrei toda a minha emo\u00e7\u00e3o e energia no curso de Psicologia. Em 2020, um v\u00edrus potente e desconhecido tomou conta do nosso planeta. As aulas deixaram de ser presenciais e a sess\u00e3o de terapia passou a ser atrav\u00e9s da tela do celular. Lembro-me de como meus sintomas pioravam, das in\u00fameras vezes que pensei em desistir e do aperto no peito da saudade dos entes queridos. No dia primeiro de mar\u00e7o do mesmo ano, minhas emo\u00e7\u00f5es estavam mais intensas. Sentia a ansiedade e a tristeza correndo no meu sangue. E de repente, tive a ideia de criar uma p\u00e1gina no Instagram, com o objetivo de receber desabafos de pessoas que estavam na mesma situa\u00e7\u00e3o que eu (ou talvez at\u00e9 piores). Eu n\u00e3o tinha pretens\u00e3o de continuar nutrindo a p\u00e1gina, n\u00e3o tinha no\u00e7\u00e3o da propor\u00e7\u00e3o que tomaria. E num piscar de olhos, a p\u00e1gina ganhou vida e eu descobri a resposta daquelas perguntas que eu me fazia quando crian\u00e7a. O meu objetivo \u00e9 servir, ajudar, refugiar, acolher e amparar pessoas que est\u00e3o passando por alguma dificuldade. Apesar da Psicologia me ajudar no processo de amplia\u00e7\u00e3o da empatia, n\u00e3o fa\u00e7o uso de tal curso para vitalizar a p\u00e1gina. Coloco-me sempre \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para ouvir ou aconselhar como amiga. Tudo ocorre no sentido literal da frase \u201cSer algu\u00e9m para quem n\u00e3o tem ningu\u00e9m\u201d. Hoje, no s\u00e9timo semestre do curso de Psicologia, com pouco mais de trinta e seis mil seguidores e quase um milh\u00e3o de contas alcan\u00e7adas, persisto com o mesmo objetivo, incentivando a cuidarem de sua sa\u00fade mental e estendendo a m\u00e3o para segurar quem est\u00e1 afundando. A ajuda \u00e9 m\u00fatua e, de certa maneira, essa atitude influencia o outro a expandir o respeito e empatia que residem em cada um. Com a maior propor\u00e7\u00e3o do p\u00fablico sendo mulheres, tentamos disseminar a voz feminina como parte essencial do corpo social. Compartilhamos experi\u00eancias semelhantes de abusos e agress\u00f5es, simplesmente pelo fato de sermos mulheres. E isso nos d\u00e1 for\u00e7a para continuar lutando pelo nosso devido lugar na sociedade, t\u00e3o como a exig\u00eancia ao respeito, que j\u00e1 \u00e9 nosso por direito. A minha vontade \u00e9 que todos sejam acolhidos e que saibam que n\u00e3o est\u00e3o sozinhos. Apesar de toda maldade que h\u00e1 entre a humanidade, existem pessoas que se importam com a vida do outro. E \u00e9 exatamente isso que eu procuro mostrar todos os dias. A empatia \u00e9 brotar em um peito que n\u00e3o \u00e9 seu. Fico extremamente feliz por poder servir e ser suporte para as pessoas. H\u00e1 quase um ano atr\u00e1s, plantei empatia e hoje me emociono ao ver os frutos. E pretendo continuar assim: nutrindo o amor, a solidariedade e a esperan\u00e7a no ser humano.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-671\" src=\"http:\/\/radioiep.com\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WhatsApp-Image-2021-01-19-at-01.15.46-777x1024.jpeg\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"917\" srcset=\"https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WhatsApp-Image-2021-01-19-at-01.15.46-777x1024.jpeg 777w, https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WhatsApp-Image-2021-01-19-at-01.15.46-228x300.jpeg 228w, https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WhatsApp-Image-2021-01-19-at-01.15.46-768x1012.jpeg 768w, https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WhatsApp-Image-2021-01-19-at-01.15.46.jpeg 971w\" sizes=\"(max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/> <img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-673\" src=\"http:\/\/radioiep.com\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WhatsApp-Image-2021-01-19-at-01.15.50-714x1024.jpeg\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"998\" srcset=\"https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WhatsApp-Image-2021-01-19-at-01.15.50-714x1024.jpeg 714w, https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WhatsApp-Image-2021-01-19-at-01.15.50-209x300.jpeg 209w, https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WhatsApp-Image-2021-01-19-at-01.15.50-768x1101.jpeg 768w, https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WhatsApp-Image-2021-01-19-at-01.15.50.jpeg 893w\" sizes=\"(max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/> <img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-674\" src=\"http:\/\/radioiep.com\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WhatsApp-Image-2021-01-21-at-18.06.07-1024x767.jpeg\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"521\" srcset=\"https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WhatsApp-Image-2021-01-21-at-18.06.07-1024x767.jpeg 1024w, https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WhatsApp-Image-2021-01-21-at-18.06.07-300x225.jpeg 300w, https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WhatsApp-Image-2021-01-21-at-18.06.07-768x575.jpeg 768w, https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WhatsApp-Image-2021-01-21-at-18.06.07.jpeg 1145w\" sizes=\"(max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-675\" src=\"http:\/\/radioiep.com\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WhatsApp-Image-2021-01-19-at-01.15.55-831x1024.jpeg\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"858\" srcset=\"https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WhatsApp-Image-2021-01-19-at-01.15.55-831x1024.jpeg 831w, https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WhatsApp-Image-2021-01-19-at-01.15.55-244x300.jpeg 244w, https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WhatsApp-Image-2021-01-19-at-01.15.55-768x946.jpeg 768w, https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/WhatsApp-Image-2021-01-19-at-01.15.55.jpeg 1039w\" sizes=\"(max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por: Mah Silva<\/p>\n<p>Colaboradora brasileira da r\u00e1dio internacional em portugu\u00eas.<\/p>\n<p>A r\u00e1dio que fala a l\u00edngua dos povos.<\/p>\n<p id=\"rop\"><small>Originally posted 2021-01-21 18:15:30. <\/small><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meu nome \u00e9 Beatriz, tenho vinte e um anos e sou a criadora da p\u00e1gina @silenciosa.mente. 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