{"id":535,"date":"2025-09-08T01:26:34","date_gmt":"2025-09-08T01:26:34","guid":{"rendered":"http:\/\/radioiep.com\/?p=535"},"modified":"2025-09-08T01:26:34","modified_gmt":"2025-09-08T01:26:34","slug":"arte-em-maputo-avo-dezanove-marizza-e-mais-marcam-ultimas-semanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radioiep.com\/site\/arte-em-maputo-avo-dezanove-marizza-e-mais-marcam-ultimas-semanas\/","title":{"rendered":"ARTE EM MAPUTO: \u201cAV\u00d3 DEZANOVE, MARIZZA\u201d E MAIS, MARCAM \u00daLTIMAS SEMANAS"},"content":{"rendered":"<p>As \u00faltimas semanas, em Maputo, n\u00e3o foram as mesmas, pelo menos no tocante \u00e0 arte. O diferencial foi do cinema e literatura, com a distin\u00e7\u00e3o de obras tanto em letras como em imagens em movimento. O maior b\u00f3nus talvez, \u00e9 que essas obras s\u00e3o de autores novos, mas tamb\u00e9m nem por isso.<\/p>\n<p>A t\u00edtulo de exemplo, a obra in\u00e9dita \u201cMarizza\u201d do jovem escritor M\u00e9lio Tinga, entrou para a hist\u00f3ria de galard\u00f5es com a primeira posi\u00e7\u00e3o do concurso \u201cEug\u00e9nio Lisboa\u201d, um certame aberto a escritores mo\u00e7ambicanos, residentes ou n\u00e3o no pa\u00eds, bem como estrangeiros em Mo\u00e7ambique h\u00e1 mais de 10 anos.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-537\" src=\"http:\/\/radioiep.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/02-2-1024x678.jpg\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"461\" srcset=\"https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/02-2-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/02-2-300x199.jpg 300w, https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/02-2-768x508.jpg 768w, https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/02-2.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 696px) 100vw, 696px\" \/><\/p>\n<p>O j\u00fari viria a dar a sua decis\u00e3o na passada segunda-feira, 30 de Novembro. O nome de M\u00e9lio Tinga soou como o melhor que cumpriu todas as regras, emanadas no regulamento do concurso, denominado Pr\u00e9mio Imprensa Nacional\/Eug\u00e9nio Lisboa.<\/p>\n<p>A M\u00e9lio, a not\u00edcia do reconhecimento ao seu trabalho liter\u00e1rio, ainda em consolida\u00e7\u00e3o, chegou-lhe como que uma (in) esperada carta. Concorreu n\u00e3o s\u00f3 pelo pr\u00e9mio, mas tamb\u00e9m pela import\u00e2ncia de se abrir ao \u201cmundo\u02ee, at\u00e9 porque o escritor n\u00e3o escreve para s\u00ed (h\u00e1 um mundo que lhe espera- ele e a sua \u201ccaligrafia\u201d).<\/p>\n<p>O autor de \u201cMarizza\u201d elucida que \u201ceste pr\u00e9mio tem um valor simb\u00f3lico muito grande para mim. Representa esperan\u00e7a e a minha cren\u00e7a sobre o poder que a literatura tem, para mim, como autor, mas tamb\u00e9m sobre como ela pode transformar-nos, enquanto leitores\u201d.<\/p>\n<p>M\u00e9lio Tinga-o escritor- \u00e9 resultado de seus sonhos e convic\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m de refer\u00eancias.Tem na literatura o \u201cporqu\u00ea\u201d de acreditar nos sonhos. Sonhos capazes de construir um pa\u00eds, de se fazer presente na vida de leitores.<\/p>\n<p>\u201cGosto de concordar com Louis Aragon quando diz que <em>a literatura \u00e9 um assunto s\u00e9rio para um pa\u00eds, pois \u00e9, afinal de contas, o seu rosto<\/em>. O pr\u00e9mio \u00e9, sem d\u00favida, um grande est\u00edmulo para o meu trabalho como escritor, se h\u00e1 motivos para desistir, acho que h\u00e1 motivos tamb\u00e9m para acreditar. \u00c9 um impulso para chegar \u00e0 outros leitores. E isso \u00e9 gratificante para qualquer autor, saber que est\u00e1 a contribuir para o fomento da cultura, para uma maior diversidade atrav\u00e9s de propostas liter\u00e1rias novas, que est\u00e1 a contribuir para compor o rosto do seu pa\u00eds atrav\u00e9s de uma ferramenta sens\u00edvel e poderosa como \u00e9 a literatura\u201d.<\/p>\n<p>Em Marizza, o escritor conta a hist\u00f3ria de um romancista em ascens\u00e3o, profundamente apaixonado por Marizza, uma jovem de um talento promissor. Seus caminhos se cruzam no meio de um cen\u00e1rio liter\u00e1rio in\u00f3spito e corrompido, onde o sexo, o desejo, a trai\u00e7\u00e3o, o amiguismo, o remorso e o medo conduzem o rumo de toda a est\u00f3ria. \u00c9 este o enredo que mereceu o galard\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 em valores monet\u00e1rios (5 mil euros), mas tamb\u00e9m uma edi\u00e7\u00e3o, mais reedi\u00e7\u00f5es, qui\u00e7\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cAv\u00f3 Dezanove e o Segredo do Sovi\u00e9tico\u201d foi tamb\u00e9m o motivo de g\u00e1udio para os amantes de arte, a s\u00e9tima, mais precisamente. \u00c9 uma longa-metragem do realizador mo\u00e7ambicano Jo\u00e3o Ribeiro. Granjeou o pr\u00e9mio de melhor Longa de Fic\u00e7\u00e3o e isso foi na 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o do PLATEAU-Festival Internacional de Cinema da Praia, em Cabo Verde.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-536\" src=\"http:\/\/radioiep.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/01-2.jpg\" alt=\"\" width=\"719\" height=\"1021\" srcset=\"https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/01-2.jpg 719w, https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/01-2-211x300.jpg 211w\" sizes=\"(max-width: 719px) 100vw, 719px\" \/><\/p>\n<p><strong>capa do filme Av\u00f3 Dezanove e o segredo do sovi\u00e9tico<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA Comiss\u00e3o de jurados da 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o de PLATEU- Festival Internacional de Cinema da Praia, deliberou e premiou as categorias previstas no regulamento, assim como acrescentou e reconheceu outros trabalhos que consideram ser importante dar visibilidade e encorajamento para pr\u00f3ximas produ\u00e7\u00f5es. Parab\u00e9ns aos vencedores\u201d, pode-se ler no comunicado do concurso dispon\u00edvel tamb\u00e9m na internet.<\/p>\n<p>Os parab\u00e9ns romperam-se do corpo do jurado e replicaram-se por entre jornais, canais de televis\u00e3o, digitais e em conversas dos amantes da s\u00e9tima arte, tamb\u00e9m admiradores do realizador. Na sua conta da rede social digital, o \u201cfacebook\u201d, amigos e seguidores rendiam-se-lhe o entusiasmo.<\/p>\n<p>O cinema mo\u00e7ambicano ainda tem um caminho longo por percorrer, question\u00e1mos, por isso, ao cineasta sobre o que vislumbra do futuro da s\u00e9tima arte em Mo\u00e7ambique. \u201cPrefiro dizer que ainda quero fazer mais filmes, mais adapta\u00e7\u00f5es da literatura em portugu\u00eas e de um outro pa\u00eds. Pesquisar e continuar explorando linguagens e estilos, para misturar mundos e viajar no tempo. Isso \u00e9 o que quero continuar a fazer\u201d.<\/p>\n<p>\u02ddAv\u00f3\u02dd de Ribeiro, uma adapta\u00e7\u00e3o ao romance do escritor angolano, Ondjaki, conta uma hist\u00f3ria de amor entre pessoas e desse sentimento que elas t\u00eam pelo seu espa\u00e7o urbano, pelo seu bairro. Mostra que da ingenuidade, do arrojo e do sonho das crian\u00e7as se podem transformar vidas e mentalidades. Junta culturas, ra\u00e7as e nacionalidades num objecto comum. Lembra-nos de um momento muito especial p\u00f3s-independ\u00eancia, quando alguns dos pa\u00edses que haviam ficado independentes (1975), travavam mais uma das muitas guerras que tiveram de enfrentar e da maneira \u201cNaif\u201d com que se enfrentavam todas essas dificuldades. No fundo, \u201ctirando a guerra que n\u00e3o nos faz falta nenhuma no presente, o filme explora a import\u00e2ncia de tudo isso\u201d.<\/p>\n<p>A \u201clonga\u201d foi co-produzida por tr\u00eas pa\u00edses (Mo\u00e7ambique, Portugal e Brasil) e contou com a participa\u00e7\u00e3o de dois actores estrangeiros nomeadamente, Fl\u00e1vio Bauraqui de Brasil e Dmitry Bogomolo da R\u00fassia. Teve a participa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios actores nacionais j\u00e1 conhecidos pelo audit\u00f3rio, mas introduziu os actores mirins Keanu dos Santos (Jaki), Caio Canda (Pi) e Thainara Barbosa (Charlita). A p\u00f3s produ\u00e7\u00e3o de imagem e som, bem como a m\u00fasica foram feitas no Brasil. A rodagem aconteceu em Maputo, Matola e Ka-Tembe, com uma equipe t\u00e9cnica formada por portugueses e mo\u00e7ambicanos. O filme estreou no Pan African Film Festival em Los Angels (USA) e j\u00e1 foi seleccionado para o Festival Internacional du Film PanAfrican de Cannes.<\/p>\n<p><strong>Autores de m\u00faltiplas facetas<\/strong><\/p>\n<p>M\u00e9lio Tinga, formado em Educa\u00e7\u00e3o Visual pela Universidade Pedag\u00f3gica, comp\u00f5e prosa ficcional. J\u00e1 publicou \u201cA Engenharia da Morte\u201d (edi\u00e7\u00e3o independente, 2020) e \u201cO Voo dos Fantasmas\u201d pela Ethale Publishing, em 2018. \u00c9 designer de comunica\u00e7\u00e3o, \u00e9 colaborador permanente da revista Literatas, onde publica regularmente contos e cr\u00f3nicas.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Ribeiro trabalha no cinema desde 1987. Come\u00e7ou com fotografia e passou pela gest\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o (no cinema e na televis\u00e3o). Tem v\u00e1rios trabalhos como Produtor, produtor-executivo e director de produ\u00e7\u00e3o para diferentes pa\u00edses. Como realizador, tem tr\u00eas curtas (Fogata, O Olhar das Estrelas e Tatana) e duas longas em fic\u00e7\u00e3o (O \u00daltimo Voo do Flamingo, inclusive Av\u00f3 Dezanove e o Segredo do Sovi\u00e9tico), entre v\u00e1rios document\u00e1rios e programas de televis\u00e3o.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-538\" src=\"http:\/\/radioiep.com\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/03-1.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"387\" srcset=\"https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/03-1.jpg 640w, https:\/\/radioiep.com\/site\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/03-1-300x181.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Na foto: Jo\u00e3o Ribeiro<\/p>\n<p>N\u00e3o bastou, nas \u00faltimas semanas, a literatura mo\u00e7ambicana, em particular, foi, ainda, marcada da melhor forma, com o lan\u00e7amento de \u201cO Menino que Odiava N\u00fameros\u201d, do escritor Celso Celestino Cossa, obra vencedora do Pr\u00e9mio BCI de Literatura 2019, da \u201cFormiga Juju e a Borboleta Mwarusi\u201d um conto infantil de Cristiana Pereira. Outra boa nova foi da \u02ddIlha dos Mulatos\u201d, obra do poeta e escritor S\u00e9rgio Raimundo, que j\u00e1 se encontra dispon\u00edvel, fisicamente, nas prateleiras da Imprensa Nacional, em Portugal. O livro, in\u00e9dito, foi vencedor da 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Pr\u00e9mio INCM \/Eug\u00e9nio Lisboa 2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Texto: Precid\u00f3nio Silv\u00e9rio<\/strong><\/p>\n<p>R\u00e1dio Internacional em Portugu\u00eas, a r\u00e1dio que fala a l\u00edngua dos povos!<\/p>\n<p id=\"rop\"><small>Originally posted 2020-12-10 19:23:44. <\/small><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As \u00faltimas semanas, em Maputo, n\u00e3o foram as mesmas, pelo menos no tocante \u00e0 arte. O diferencial foi do cinema e literatura, com a distin\u00e7\u00e3o de obras tanto em letras como em imagens em movimento. O maior b\u00f3nus talvez, \u00e9 que essas obras s\u00e3o de autores novos, mas tamb\u00e9m nem por isso. 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