{"id":2255,"date":"2025-06-17T01:05:22","date_gmt":"2025-06-17T01:05:22","guid":{"rendered":"https:\/\/radioiep.com\/?p=2255"},"modified":"2025-06-17T01:05:22","modified_gmt":"2025-06-17T01:05:22","slug":"o-silencio-da-noite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radioiep.com\/site\/o-silencio-da-noite\/","title":{"rendered":"O SIL\u00caNCIO DA NOITE"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"wp-block-post-title\"><em><strong>O SIL\u00caNCIO DA\u00a0NOITE<\/strong><\/em><\/h1>\n<p>O dia, quando cal\u00e7a a viagem da escurid\u00e3o, a luz morre no escuro e o sil\u00eancio ganha o vazio. J\u00e1 uma vez, aqui nestas paragens do meu musseque, preguei minha voz no microphone da noite e nem sequer uma nota consegui projetar. Da\u00ed, percebi uma coisa: Estou numa madrugada comprida, onde a luz chega devagar entre a janelinha dos meus olhos que se alongam como o tapete asf\u00e1ltico, meu sono ganha asas e ultrapassa a ilus\u00e3o de inventar o verbo voarinhar no infinitovoar. Com o sil\u00eancio afiado, como o vazio da esperan\u00e7a, n\u00e3o oi\u00e7o nada, nem sinto nada, apenas exercito a morte no cume da cama. A natureza com sua forma art\u00edstica, silencia a can\u00e7\u00e3o dos animais que nelas habitam. Os p\u00e1ssaros j\u00e1 n\u00e3o cantam, as galinhas j\u00e1 n\u00e3o cacarejam, as cabras j\u00e1 n\u00e3o berregam. Unicamente viajam na medula da noite onde qualquer homem exercita a linguagem da morte.<br \/>\nO isolamento que me acolhe, silencia at\u00e9 mesmo o grito do meu pequeno filho, sorridente e \u00e0s vezes choroso num tom que desafina a calmaria. Foi da\u00ed que pensei: Mas quem faz a semente brotar \u00e9 o kunanga e quem define o destino do anjinho \u00e9 o rei sem nascesperma?<br \/>\nBem l\u00e1 no fundo do \u00e2mago, meus ouvidos nem sequer ou\u00e7am o assobio do rei, apenas sinto os gemidos da baronesa cravados na minha mem\u00f3ria. H\u00e1 tempos que n\u00e3o beija os meus bra\u00e7os, tampouco vejo a sua maneira de gingarandando. Por\u00e9m, daqui por diante, atravessarei o rio Jord\u00e3o para engolir a dist\u00e2ncia que me separa entre mim e o anjinho. Ele tem o seu jeitinho. Veja l\u00e1, pela manh\u00e3, com seu rosto alegre, joga um sorriso com sua boca vazia de dentes. A fome da saudade inquieta meus dias! \u00c9 nesta por\u00e7\u00e3o que me fa\u00e7o burro e come\u00e7o a borrifar meu olhar com a ventosidade atmosf\u00e9rica. Por isso, esses atongokos, desenvolvem em mim essa afirma\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>A vida \u00e9 um sopro, assim como a fala. Mas, a morte sempre surpreendeu meu entendimento quando se alimenta do f\u00f4lego da vida que nos desloca.<\/p><\/blockquote>\n<p>Os fen\u00f3menos da vida fazem parte do nosso quotidiano, mas assustam porque v\u00eam de punhos atados.<br \/>\n\u00c0s vezes, carregar o vazio entre os dedos tolhidos, numa noite t\u00e3o escura, \u00e9 desatar-se de qualquer luta.<br \/>\nCreio na firmeza rude que traz mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Por: Martinho Gamboa.<\/p>\n<p><strong>R\u00e1dio Internacional em Portugu\u00eas.<\/strong><\/p>\n<p id=\"rop\"><small>Originally posted 2022-09-17 22:54:49. <\/small><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O SIL\u00caNCIO DA\u00a0NOITE O dia, quando cal\u00e7a a viagem da escurid\u00e3o, a luz morre no escuro e o sil\u00eancio ganha o vazio. J\u00e1 uma vez, aqui nestas paragens do meu musseque, preguei minha voz no microphone da noite e nem sequer uma nota consegui projetar. 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