
Desde os primórdios da humanidade, a arte em suas múltiplas formas, da
pintura rupestre nas cavernas aos rabiscos mais contemporâneos, constitui
uma linguagem universal de expressão. Ela está presente em todos os
momentos da vida humana, inclusive antes do nascimento, quando os que
aguardam a chegada de uma nova vida, buscam envolver esse ser com o que
há de mais belo no mundo.
Conforme crescemos, somos apresentados a um universo social repleto de
formas artísticas: Algumas de nomes complexos, outras simples e cheias de
vida. Percebo que o ser humano respira e vive arte durante quase toda a sua
existência. É por isso que defendo a arte como política pública essencial, na
qual o primeiro setor (Estado), o segundo (mercado) e o terceiro (sociedade
civil) caminhem de mãos dadas, formando uma tríade fundamental para o
desenvolvimento humano.
Tenho grandes expectativas acadêmicas e profissionais em relação ao estudo
e à pesquisa sobre o tema “Arte como Ferramenta de Cura para a
Humanidade”. Acredito que a arte desempenha um papel vital na expressão,
na comunicação e na busca por significado e transformação, atuando tanto no
plano individual quanto no coletivo.
Escolhi dedicar-me a esse campo por acreditar no poder transformador da arte.
Ela tem a capacidade de tocar as pessoas em níveis profundos, permitindo a
expressão de emoções, o processamento de traumas, a superação de desafios
e a promoção da cura emocional e psicológica. A psiquiatra pioneira Nise da
Silveira já demonstrava isso ao afirmar que “a arte é a expressão mais
genuína do inconsciente”, usando-a como via terapêutica essencial. Esse
potencial é reconhecido globalmente por disciplinas como a Arteterapia, que
utiliza o processo criativo para promover a saúde integral.
Mais do que entretenimento, a arte é um recurso terapêutico e social que pode,
e deve ser integrado a setores como saúde, educação e assistência social.
Projetos reais comprovam sua eficácia: A “Música nos Hospitais” humaniza
ambientes clínicos e reduz o estresse de pacientes; as “Fábricas de
Cultura” nas periferias oferecem acesso e identidade por meio de oficinas; e
coletivos de grafite, circo e teatro transformam espaços públicos e fomentam
o diálogo comunitário. A arte, nesses contextos, opera a cura que tanto precisamos.
O foco desta investigação será a arte e a cultura, com ênfase na literatura
poética e suas formas de expressão na sociedade. Escolhi a poesia como
objeto central por experiência própria: Sou Responsável por administrar a página
Pergaminhos Poéticos – Caminhantes da Liberdade,
onde observo diariamente como versos e poesias podem acolher, inspirar e ajudar pessoas
em momentos de fragilidade ou busca por sentido.
A poesia, com sua capacidade única de condensar emoções e estimular a
reflexão, serve como ferramenta poderosa para despertar a imaginação, a
criatividade e a conexão consigo mesmo e com o outro. Quando imerso no ato
criativo de escrever ou ler poesia, o indivíduo pode experimentar o estado
de “fluxo”, descrito pelo psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi como um mergulho
profundo que dissipa ansiedades e promove bem-estar através da presença
plena.
Como a arte pode impactar positivamente a saúde mental, emocional e física
das pessoas? E quais as melhores abordagens e práticas para integrá-la de
forma efetiva no cotidiano e nas políticas de cuidado?
Penso que abordagem será qualitativa, utilizando revisão bibliográfica,
entrevistas semiestruturadas, observação participante e análise de conteúdo.
Serão envolvidos participantes com experiências diversificadas: Terapeutas,
artistas, educadores e pessoas que vivenciaram processos de cura ou
autoconhecimento por meio de práticas artísticas.
Considerações Finais:
Entendo a arte não como um luxo, mas como um nutriente essencial para a alma humana. Meu objetivo é especializar-me nessa área, unindo conhecimento teórico e prático para contribuir com projetos que tornem a arte acessível a todos, como instrumento de liberdade, cura e transformação social.
Para terminar, compartilho um fragmento do que acredito ser a semente dessa
cura, extraída de meu próprio “Pergaminhos Poéticos”:
Há uma cura no traço que desaba no papel,
na palavra que brota intempestiva, do caladão da alma.
Não é poeira de remédio, é semente:
planta seu verso no chão rachado do ser
e espera.
Até que a raiz frágil rompa o cimento,
até que a flor, surda,
desobedeça à lógica do concreto
e anuncie, em sua língua silenciosa e colorida,
que a vida, sempre, insiste em passar pelo buraco da agulha.
Referências e Fontes de Inspiração:
SILVEIRA, Nise da. Imagens do Inconsciente. Rio de Janeiro: Alhambra, 1981.
(Livro onde ela documenta sua revolucionária terapia através da arte)
CSIKSZENTMIHALYI, Mihaly. Flow: The Psychology of Optimal Experience.
New York: Harper & Row, 1990.
(O livro clássico onde desenvolve a teoria do “fluxo”)
FEDERAÇÃO MUNDIAL DE ARTETERAPIA (WFAT). O que é Arteterapia?
Disponível em: https://www.worldarttherapy.org/.
Programa Fábricas de Cultura. Secretaria de Cultura e Economia Criativa do
Estado de São Paulo. https://www.fabricasdecultura.org.br/
Autora: Valdimar do Nascimento Alves (conhecida como Val Alves)
Escritora, gestora, poeta e ativista cultural.
Rádio Internacional em Português
Associação Arte e Cultura em Língua Portuguesa



